sábado, 23 de junho de 2012

Novidades

Espetáculo é acordar a vibração dos póros
ao tocar as cores e sentir a sua temperatura.
Vida,
chama por todas as percepções
instantâneas ou não, chegam ampliando a realidade.
Esse "sentir" que atravessa todos os racioncínios.
Enche o olhar com entrelinhas-leitoras e condensadas
interrogações sobre a verdade e suas manisfestações.
Mesmo que sejam transitórias e sempre o são.
O sol incandescente de vontade abre a cortina...
para uma cidade inteira interligada de múltiplas possibilidades.
Os pontos pulsam  em cores e vidas a se conectar.
O intento está no ar e faz acordar o dia
com o fio que faz tecer a história de se fazer nascer.
De sentir prazer
De correr até não puder mais
e alcansar o distante
como se perto estivesse
Viajar
e voltar com as mudanças realizadas.
Estender o universo em  si-mesma
Sentindo as transformações em células
a criar um novo existir.
Olhar para o que há em volta com outras lentes
com cores que não conhecia.
A luz foca em outras direções a sererem experimentadas
e a percepção usa sentidos que se descobre recentemente.
Surgem escadas e novas portas.
a gravidade se desloca
O novo se abre
as possibilidades dançam
convidando com seus véus esvoassantes.
Mais e mais descobertas realidades.







Recomeços....nova fase.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sobre a vida, sobre ela

Na noite escura,
sem saber.
Um quadro sem cores, sem tela,
Com a escuridão de sentinela.
O silêncio total.
Sem limites.
Sem bits.
Sem ar – a perenidade – sem possibilidades.
Sem luzes para sinalizar,
O breu que cega.
Tudo o que um dia escrevi:
Fogo, cinza, pó.
Sem chão, sem dó.
O filme, não há, nem espectadores.
Nada molda o ser que lateja solto,
Girando pela periferia.
Sem perceber que a música havia acabado,
De repente, uma explosão e foi jorrado todo o turbilhão
De esperanças e lembranças.
Tanto as memórias,
como os objetos, marcadores de momentos
que estavam prontos para morrer.
A pedra começava a fluir com o curso do rio.

Ela que tanto admirou o movimento das águas.
Agora se entregava à correnteza.
Vibrava! Dançava na música da natureza.
Soltou-se do fundo e sem asas voa.
Não se importava com o percurso, ia...
Seguia seu coração de pedra viva.
Descobria seus instintos ancestrais,
Selvagens de ser apenas o agora,
e quase brilhava por isso.
Derretia com a energia do sol e
transcendia suas limitações,
voando nos braços libertos das águas.


Num banho de sol a beira da água,
Nua dos detalhes conceituais de si mesma.
Os raios penteavam seu corpo,
Brilhando seus póros e
Incandescendo sua alma.
Ao longe, surge ele,
o transformador das matérias.
Identificou a espécie bruta
Em sua demonstração de existência.
Colheu-a com os olhos febris de desejo
por moldar conforme suas inspirações
mais intensas e imediatas.
Por um segundo, invade um forte arrepio,
talvez um choque, que quase lhe fez perder os sentidos,
e assim a pedra volta para sua liberdade.
Segue seu caminho intacta das intenções alheias à
sua interioridade.

Na descida, imagens rápidas.
Sua passagem a sacudia, talhava, empurrava,
embalava, acordava, ampliava sua percepção sobre o rio
e sobre jornadas.
Chocava-se com outras pedras e as soltava.
Com outras conhecia impulsos novos de seguir o fluxo.
Cada ação moldava sua forma.
Cada solavanco, e ela, não era mais.
Permitia os segundos que se fossem.
E de tão pouco que se tornava, ampliava-se.
Quanto mais tiravam dela, mais ela se expandia,
Do fundo à margem.
Quanto mais seus pedaços se espalhavam pelo caminho,
Menos ela se importava.
Assim foi rolando pelo rio,
até que a pedra se transformou no próprio percurso,
espalhada e viva.
Sua vida.
Seu rastro.
Sua dissolução.
Seu ser.
Sua nova inteireza.
Vibrava completa,
Em comunhão com a correnteza.
A Pedra se tornou o rio,
E o rio também a pedra.

sábado, 19 de abril de 2008

Caleidoscópio dos sentidos

Faltava a ela acreditar. Mesmo usando óculos sua visão era turva, como em frente a um nevoeiro. Sabia que lhe faltava algo, mas o fato da vela apagada, e na ausência de lâmpadas no local impediam a imagem de se apresentar. Sentia o vento a organizar seus cabelos e o sopro a enchia de vida, porém era preciso descobrir o que sua alma ansiava.

Ouvia o vento sussurrar o que ela perguntava, mas entendia estranhamente, só com a saciedade. O relógio virava o contrário e os morcegos saiam para usar suas asas na liberdade. Então, sentia o frescor, conhecia essa mensagem. Talvez, aprendesse com eles a ter visão sem luz. Atrás deles estavam os faróis que esperava para admirar e para iluminar o que ela queria ver.

Deitada na rede a brisa da noite esvaziava suas expectativas e anseios. Estava satisfeita, era tudo que precisava. Unicamente, percebia o cenário. O que havia de mais simples era o que lhe trazia alegria. Sabia disso, mas esquecera por tempo prolongado o que a alimentava. Sua alma faminta mostrava os sinais, pressentiu que colocaria o que havia construído a baixo. Uma imensa urgência instalada em seu coração gritava para que a seguisse.

Passos firmes no imenso breu, vez ou outra ousava – estava se reiniciando lentamente, enquanto a confiança brotava, faria com que seguisse a caminhar no escuro. Assim estava se alimentando, nutria sua interioridade e regava seu solo – sua individualidade. Voltou a produzir o veneno fitoterápico, segundo os fins futuramente utilizados. Guardava em seus póros enquanto alterava a fórmula. Haviam muitas descobertas e precisava experimentar as novidades e aplicar à roda de intensidades. Mesmo com todas as alterações continuava a ser veneno puro daquele que mantém a alma intacta.

Tirar a consciência do umbigo e entregá-la ao foco apontado. Entregar-se ao centro e mergulhar em profundidade. Deliciar-se na matéria observada e, por fim, chegar ao ápice de ser. Esvaziando sem classificações, julgamentos, análises ou comparações. Só vem o milho de pipoca que estoura em estar presente. A alma branca de satisfação, o retorno, pleno e brilhante como aqueles que festejam por completo o momento.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Confesso!

Sem decidir qual era o teu papel nesta história, estava esticada de um
extremo ao outro. Do mais sublime sentir ao vazio da tua presença. Gostava de
ver seu reflexo nos outros, projetava luz dos olhos e sorria muito voltando para
casa. Ficava tonta, quando escapava de mim mesma e me perdia no teu rosto.
Nunca desvendei um sorriso como aquele, lançador de flashes de encantamento e
quando voltava a minha própria presença estava mais perdida, quase sem saber
como disfarçar, o impacto diário que a tua existência me causava.


No interior da casa era a sombra que se mostrava, então não dormia. Até que cansou de espalhar si mesma em tudo. No rosto ele impresso. Pintava todas as cenas que via com a sua cor. Ao sair, para compartilhar o mundo, aprendia a invisibilidade – sabia o que fazia quando o encontrava. No início, um pouco desajeitada, meio técnica e engraçada, pois escapavam frases sem sentido, perdia o proposital (por não ser do mundo, pelo menos naqueles instantes). Depois, vestia seu ar de inocente, mas somente para que ele se soltasse e então esperava a reação. Quase sempre dava certo. Media a situação com a cara de quem não está pensando. Quando o nível de confiança havia subido até o aceitável, parou de se defender do que sentia.

Ela via... estava estigmatizado para confirmar a sua originalidade. O trágico dia havia deixado utilidade. Sentia o ombro rir com a caneta, mas era interiormente que havia assinado. Na sua vez, a marca que ele podia atestar a veracidade, ela havia disfarçado. Ela podia sorrir o quanto quisesse e ele não saberia a verdade, seria quase injusto, se não soasse o nome revelador.
O veículo temporal passava, velozmente, por todas as esquinas daquela história, o passado e o presente, em fim, um só. Permitia que suas impressões se misturassem a ele, lentamente como se entra num rio pela primeira vez. O ritual era cumprido, rigorosamente, etapa por etapa. O ar solene, já era de se esperar, pois o tempo estava parado.

Ficou muda como costumava acontecer. Precisava encontrar o ponto inicial. Como acertar a tomada no escuro em território desconhecido, sem tatear?
Quase em outra vida o impacto torna a acontecer. Ela pára e percebe quase sem acreditar. Mergulhou nos olhos dele completamente sem ar. Ele era tudo que ela respirava. Experimentou com a mesma profundidade que um dia o marcou. Ao perceber que continuavam os mesmos, uma vida inteira entrou naquele instante.

Ela o toca com a mesma impetuosidade de quem pretende ligar a luz. Tão logo ela acende não existe mais tomada. Instantaneamente, o foco muda para o ambiente iluminado. Nos olhos dele nasce novamente, sua alma retorna pela luz que ele devolve ao seu olhar.

Ria, sarcasticamente, pela última vez. E, de repente, não era mais.

Deixou no banco da praça deserta a sua pele despida, em noite de lua, rumo ao lago com a sua alma nua. As árvores, rodeavam-na, formando um círculo a lhe observar. Suas testemunhas dos tempos impressos naquele lugar. Quase destituída de ser a mesma de tantas sessões como aquela. Só se entendia universalmente, quase não conseguia ser individual. Seus pés, tocando as pedras vivas, impulsionavam-na de volta. Faziam parte da sua vida, eram pedras. E os braços do vento a puxavam de um lado ao outro, divertindo-se com ela. O manto da noite entorpecia seus sentidos, e a água gelada fazia com que sentisse ainda mais viva, brindando a eternidade daqueles momentos. As estrelas piscavam em sua linguagem cósmica. Na pedra mais alta lia o mais antigo livro no teto da sua vida.

Pertencia aquele lugar. Era tratada e reconhecida por sua natureza verdadeira, livre. Sua existência não cabia em jogos de egos. Ainda selvagem, instintivamente, buscava a origem. Sabia como agir sem pensar. Ali perceber era seu único compromisso. Num longo sistema de igualdades que se estabelecia, espontaneamente, com tudo que a acompanhava.

Viva - o estado mais precioso. Seu conhecimento de ligação com tudo que é sagrado. Assim cumpria sua experiência religiosa. Na mais intensa vibração dos seus pulsos. Rezava vivendo. Hidratando seu espírito com a água primordial. No mais profundo silêncio, simplesmente ouvindo, humildemente receptiva.
Cruzam-se mensagens das estrelas com as que chegam das profundezas da terra. A água filtra as palavras que projetam-se da sua mente, e o sol nasce incandescente, transformando as dádivas em promessas para o mais novo presente.

Lembrei da tomada de luz. Agora você vem comigo!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

“In tu ir” e vir...


Lago calmo,
Calando tudo que a visão alcança.
Pelo olhar a contemplação,
olhar com força e exaltação,
por ligar – como rio se une ao mar.
Nuvem que sou,
pois preciso sentir.
Sedenta por entender o toque
da água, o vapor que envolve
e mistura os limites do divisível.
Grito o silêncio!
Não por imposição,
mas por vida.
Voar, ser e mergulhar,
estar no aqui e ao longe.
Não ter forma e ser tantos personagens
quanto a mente puder criar, como exige a vida e outrossim
da forma proibida...pois ela diz através do eco social,
vc só pode ser um.
O eu é pequeno de mais.
Não o usar é deixar a proteção em casa,
Ser livre.
Não temer as investidas testadoras do destino.
Ser sem amanhã, depois ou prudência.
O futuro pertence aos outros.
Só tenho alguns agora solúveis.
Também não há formas, regras ou pretensões.
Como um plasma decifrador do que se busca,
Sem plano, projeto ou estratégia.
O secreto livro dos pontos
contou a história tal como aconteceu.
Quem liga para o livro?
Páginas negras com letras invisíveis...
Só lembramos ao dormir da linguagem.
E, ainda, fizeram com que realizasse o juramento,
Saber apenas quando não pensasse!
O pacto foi firmado
O selo que se queima, tatuado..
Solenemente.
(a sensação do eterno cristalizou o momento)
Porém, as mudanças seguem...
E o barco continua a atravessar os ventos e a tela
que ele ultrapassa.
Há realidades mais encantadoras que sonhos.
Morar com vista para o inconsciente
é estar na tela para ser redefinida com a
mudança dos ventos.
E as mãos invisíveis com seus cantarolantes
assobios escovam os pensamentos
que se transformam em fios que tecem
o caminho das estrelas até a cabeça.
É o entrelaçamento pronto.
Desce a intuição.
A intuição como parte do trajeto
até a fonte –
o ponto de luz que serve a taça capital...
Aos brindes!
Saltam gotas...
Colhendo-as, quem está?
Antes que se dissolvam no ar!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O Ponto


Quero o amplo salão
Para acomodar pensamentos,
destes coletivos, silenciosos
e com outras pessoas em atividade libertadora!
.
.
Para alcançar o teto é preciso ser leve,
Do tipo livre.
Quando, acidentalmente, caiu o regulamento,
Espatifando-se....
.
Caí ao contrário.
Arrebentei-me da melhor forma,
Pois, comicamente, fui esparramada no teto.
Desajeitada foi minha iniciação à anarquia.
.
Assisti a estréia,
como o despertar dos sentidos.
.
Do teto, sentia minhas próprias dores e risos.
E todo o meu corpo falava em coro.
De repente, era a coletividade em mim...
.
Silêncio....
Cochichos
.
Silêncio.
.
Olhos arregalados,
Coração disparado,
Transpiração febril.
.
(Espanto!)
.
.
.
.
O eu era apenas um representante
de uma população fervilhante a se manifestar.
São milhares...!
Uma diversidade de seres,
A opinar e apresentar seus projetos...
Um eu-nação a ganhar consciência de si-mesmo.
Antes achava ser só silêncio!
A atividade agregadora foi descoberta.
O contato com novas realidades aumenta a multiplicação,
desses, ainda, estranhos seres interiores.
Sim, já os conhecia, mas não assim, cara a cara.
Conhecer pela fisionomia confere maior intimidade,
Ainda que conhecesse seus pensamentos.
.
A contra-lei da gravidade.
Mas em favor de outras mais.
E contra um tanto, e sem um monte de aspectos outros...
Era quase alguma coisa, sem tê-la tornado ainda.
.
Não posso coadunar com a hipocrisia
de ousar não ouvi-los.
Vou considerar seriamente seus avisos.
Eles que tanto me salvaram a vida ao gritar...
.
Meu povo de heróis e canalhas!
As boas ações constam nos albuns,
estas todos conhecem...
As outras...
estão dentro..se vistas com verdade, serão identificadas fora tbém...
Um bando amontoado na escuridão dos sentidos.
São fitados nos olhos com calor e, aos poucos,
contagia com uma felicidade dolorida e necessária.
.

.

.
Invoco,
Coragem,
Força,
Integridade!!!
.
Para continuar firme a olhá-las.
Conhecendo seus pensamentos sombrios.
Entendendo e não sucumbindo a virar o rosto.
.
Dos relâmpagos ao roncar do chão.
Não a sua intimidação.
Os raios partem as alturas
E a concentração continua.
O desafio permance a abalar...
Contudo há uma tarefa a acabar.
.
Há um intento...
Aprender o desafio.
A terra gira velozmente para derrubar,
E o local mais improvável, prende a todos de sair voando.
É o inominável?
.
A chuva vem do espaço onde achava ser o Nada.
Traz as altas temperaturas.
É Preciso mergulhar no Caldo.
Corpo, luz e sombra a se unificar.
Quem nasce de novo passa por lá.
Assombrada pelo pavor do não suportar...
Ferve o conteúdo.
Passam 7 períodos.
A Espera, a espera...
.

.

.
Surge a vida renovada.
.
O círculo fechado,
Contraiu o espaço final.
O ponto que condensou o pensamento
Compactada a experiência.
No núcleo.
No centro.
Na fechadura do ser,
onde a luz anima
o centro da vida.
O forno que transforma a alma.
O início e o fim.
É o ponto.
Existem coleções deste.
.
Olhem à noite!
O grande texto
de pontos luminosos instigando
a sua própria leitura.

Responda esta:

Apresenta-se um balão de quadrinhos:

A inspiração,
de onde vem?

Só tramo.
A linha, não fiz.
O ponto, não inventei.
Só o trabalho de entrelaçar,
o manto para que outros sentem.
A inspiração chega pronta,
Vou unindo os elos...a voz que vem do interior...
Sentir e juntar.
Quem falou?
Achava ser o eu.
Mas este sou.
Devia compô-lo em detalhes,
Porém, sou só magneto dos
Meus temas favoritos.
Já vem semi-trançados.
Cada vez o sobressalto é maior.
A resposta surge e abre um rombo
do tamanho do mundo,
desexplicando tudo que soubera um dia.
Oh, Deuses (que estão dentro), por favor!
Ajudem-me, pois não sei mais como encontrar a humildade que falta
para ver o óbvio!!!
Obrigada, por conseguir perceber que não entendo as perguntas mais tolas, visto que, só agora, estou quase iniciando a sentir um pouco de satisfação.
E a inspiração do que é feita?
Ins-pirações...negar as loucuras...Ahahahahahahahahah...
Seria uma influência, um entusiasmo...
Li, certa vez, que entusiasmo significa Deus dentro de si (bom... piorou agora!) Seria um tipo de possessão do inconsciente? Danou-se!
Caso se apresente uma saída do labirinto, favor entrar em contato...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sem Lentes


Não há de se ter pudores,
a verdade recorta seu próprio espaço!
Sobre ela... é o cumprimento. É a que se apresenta primeiro,
mesmo que não seja vista inicialmente.
É dedicar dignidade, ou mais que isto,
ser leal.
Como negar o que pertence a todos?
Sem contar, que se apropriar de objeto alheio
é furto, e com violência aumenta a pena.
Não agir com lealdade é um ato hediondo, sinto...
Sim, porque sentir é tão importante quanto pensar!
Nas sociedades em que almas têm profundidade, o sofrimento
e a alegria se alternam e possuem o mesmo valor.
È saudável, como caminhar...sentir dor com consciência do seu papel,
do sentido e mensagem.

Negava exposição... o foco não...quero observar, ser a sombra animada com o princípio da vida.
Re-volta....
Não há o que esconder,
nem medo e insegurança são suficientes, pois fazem parte do tempero do desafio.
Ficar nua do avesso,
aparecendo costuras sanguíneas.
Sem pudores,
respirando fundo de satisfação,
despida de regras inúteis.
As personas quebradas uma a uma.
As expressões tornam-se escassas.
A simplicidade de se ter apenas o necessário.
Não tenho.
Não sou.
Vivo,
mas é claro, é escuro...seguem os dias...

Sem bagagem não há credenciais para exibir privilégios,
como não há indícios da necessidade de inferiorização.
Poder maldito que divide os homens, escalona-dor.
Como seria a sociedade sem alguém pedindo e o alguém para pedir...
E sem o pedido?
Acordada eu sonhava*

Onde fica... na dormência do sonho sem fim,
mas isto é o que eles dizem.
Os produtores dessa desigualdade criminosa que se espalha:
Comam o lixo que produzem!!! Autofágicos.
Há uma extensa lista de itens que o ($) não compra.
Que valores temos projetados nesta lista?
Viver custa muito caro, porém não refiro a ele ($) novamente...
Aprendi a olhar para quem conta vantagem...
quer expressar o inverso de sua realidade.
Todos os sentimentos são misturados e a necessidade de mudança
é o resultado na auto-análise individual e coletiva.
A questão é: Tirando as lentes que a sociedade lhe coloca,
o que realmente tem valor?

*Simplicidade, para que todos tenham o que precisam sem pedir.
Vamos pedir juntos que acabem os pedidos!!!
Por que algo tão coerente tem de ser utopia?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Sobe, caminhando que se anda...

Continuo a me perder pelas esquinas sinfônicas.
Gosto de calçadas
Pulo para dentro das crianças à brincar
Quero de volta o que a cidade transformou em passado
Mas,
o presente se abre todo dia com encanto,
e sou eu quem o embrulha no dia anterior.
Vida,
intensamente vestida.

À sombra
A dor rasga a alma,
e assim, o rosto logo
denuncia,
a transformação está ali atuando,
chora...............................
.
.
.
As lágrimas começam a secar
O espaço ampliado inícia seu sentido.
As névoas das emoções inebriantes.
Partículas formam coreografias.
tramam o que está por vir...
O canto aberto ainda é escuro...
O recente sistema cognitivo que surge
emana sua infleuência como ondas à todas direções...
Não há certezas penduradas.
As paredes transparentes com vista para o inconsciente.
.
.
.
Acordo.

À luz...
Quero meu mundo de volta, chegar no horário, dizer: bom dia!!!, brincar com cachorro que está no caminho. Correr atrás do ônibus...
Sento, e de volta ao mergulho...
A dor estrutura ... faz valorizar os sorrisos, o querer bem,
ser sem pretensões.
A aflição
reorganiza,
faz suportar.
O próximo riso é mais longo
mais aberto
sem tensão porém
devasso......
Abrem-se outras janelas.
O vento no cabelo....
O frescor da manhã misturado ao sol.

Pronta!

Reformada.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Mirar para dentro

O tempo passa como paisagem a 150 km/h ...
O veículo absorve o caminho que fica para trás.
Sintetizo como órgão de digestão da vida.
Sou o eu e o caminho também.
Depois, quando tudo passa, ocorre a mistura,
não cabe mais análise, julgamento ou egocentricidades,
sem definições, vida, móvel, transforma-ativa e dinâmica.
Uma partícula sem matéria, apenas com probabilidade de ser,
e assim mesmo existe.
É um mistério ser,
porém isso não impede de procurar a resposta.
Procurar não consiste em sempre encontrar.
As respostas só chegam na hora certa...
procurar é atitude humilde, não pretende,
realiza-se na busca, aprende com o caminho.
Já o encontro com o que se busca,
é o final do rumo,
parte tão importante quanto qualquer fragmento do percurso.
O utilitarismo dos fins rouba a poesia do presente.
Simplesmente viver...
valorizar o agora e ter a capacidade de vê-lo,
sem pressa de chegar ao final.
Chegar ao final...
sem ver o agora é ser vazio, não é o Nada Criativo,
mas sim, a angustia alarmante do caminho perdido.
Credo!
Estar cega de percepção,
sem conhecer como se manter viva.
O germe, que carregamos no núcleo, contém as respostas.
Com os estímulos internos ele se desenvolve e
libera o perfume da compreensão que se molda em chaves.
Cada problema possui sua fechadura.
Primeiro, a procura por sua discreta posição.
Depois, o olho na fechadura para tentar visualizar como compreender.
Envolve-se o problema de atenta concentração.
Algumas vezes tem alguma característica aterrorizadora
que impede de ver a verdade,
mas aos poucos se descobre formas de se aproximar dela.
Quando for desvendado, parte suficiente do enigma,
a ponto de ser reproduzido interiormente, o instrumento revelador surge.
O momento mais esperado, não é o mais importante,
pois a tensão mais forte foi gerada quando parecia indecifrável.
A metamorfose é realizada... cada fase em seu tempo.
O caldo transformador ferve,
enquanto seus ingredientes são reconhecidos, escolhidos e dosados.
A sabedoria do tempo interage, trazendo as escolhas,
e os resultados colhidos,
logo adiante numa dança rítmica cósmica na harmonia da natureza.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Misturando para Identificar



O caos organiza meus pensamentos...
Harmoniza em ciclos.
Virando o solo, arando o tempo.
Colhendo os frutos da ordem natural.
As sementes se jogam no campo da fertilidade das idéias.
As palavras cobrem.
Os póros expulsam idéias soltas, tilintando como brindes pela nova vida. Formam-se novas combinações.
Invadam o mundo.
Sejam livres!!!
Sigam o rumo traçado pelo destino, que não serei eu,
e sim isto, tecendo o verbo imortal.
Concedo-te o que há de mais precioso:
a liberdade.
Que nada mais é que o nada,
em toda a sua potencialidade de ser.
O nada é denso.
Expulsa a matéria morta.
Põe tudo em movimento.
A expansão do nada é a evolução.
A escada em espiral que nunca acaba.
O dom divino é subir a escada primeiro,
para construir os degraus que outros vão passar.
Ele não é o terceiro (Ele),
mas sim o primeiro (Eu), somos Um.
A mesma pessoa fundida, o imperfeito e a divindade...
a alma fecundando a matéria.
Rasga o tu.
Aquele que mais odeia, teme e repugna, é uno com Ele.
E ele é uno conosco...
logo está no eu o desequilíbrio, está em nós...
Os "Nós" de Deus nos uniu (e enredou também),
o que Ele reúne o homem não separa.
Projeta para o exterior tua imagem,
para quem está ao redor de ti.
A imagem refletida é reconhecível?
Ou faz gritar, gemer de dor, quase desmaiar de desespero?
Mantém-se firme.
A intensidade do afago da mão da vida, que faz cair, para fazer levantar.
Que fere para depois mostrar que cicatriza.
Leva o que você mais ama para que veja que pode viver sem.
Podes viver contigo mesmo.
Dorme no meio do caminho para ser humilde.
Sente na própria carne a dor dos que não chegam ao fim.
Para que acredites que seja um deles,
sem saber que é apenas um revés passageiro (como a vida é).
Quando te voltas contra, pelo sofrimento insuportável,
algo age como percebesse o empreendimento tentado.
e concede mais uma chance de vencer as limitações.
Como um dos segredos da existência.
Superar os problemas e usar para aumentar a força.
Precisamos dela para continuar subindo a escada.
Os trens não param de chegar, mas poucos os vêem.
Eles são silenciosos e não têm cheiro.
As partidas não param de acontecer...
e muitas vezes ficamos parados à espera, chegam e partem,
sem muitas vezes os embarcar.
Como será que ocorre a visão?
Como se vê os trens?
DEIXA...
A imagem se formar.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A CONDUÇÃO

O dia surge pleno, elevando as possibilidades ao climax. A noite o segue para sustentar o peso da luz.
Assim iniciam os ciclos... a doce ordem da natureza que coloca tudo no seu lugar.
Meu sono é o pilar do dia inteiro, um ao lado do outro, formam a construção sem fim.
O planeta coberto de constelações.
O destino é visível para quem puder ler. Ir atrás da resposta é o primeiro passo para alcançá-la.
Abro meu dia e vejo iniciar o mundo. A história de 24h únicas existentes...O passado e o futuro ficam depois do sono. Só o agora pode ser vivido, o resto ou é sonho ou um potencial.

A gestação do planeta são os pensamentos que reluzem como estandartes em todos os seres vivos.
Os pensamentos são as sementes de tudo que existe.
Eles são ao mesmo tempo, construtor e matéria-prima.
A alquimia das possibilidades costura o universo.
A magia dos instantes, embriagam o tempo, de êxtase puro.
Os vários nomes da sua variação, mas não se perde sua essência...o acaso, o depois, o mais tarde, o antes fosse, o e si, o talvez, o um dia, brincam com a ordem natural das coisas.
O que morre permanece em essência, morre a máscara fica o ânimo... a energia transmuta a forma, o tempo modifica tudo.
O mistério não se oculta para velar verdade. É apenas a semente que precisa se desenvolver em etapas... precisa colher muitos "agora".
O tempo é o guardião dos ciclos, protege atento o que germina, para que se desenvolva e cumpra sua função de filho da natureza.
A gestação do tempo, sábia expectativa, que guarda o amadurecimento das coisas.
Elas se envolvem pela energia multiplicativa da criação. Tomam forma, pouco a pouco, num ballet, guiado pela sabedoria suprema.
A luz gera a sagrada sinfonia que dita o caminho sedutor que guia o nascimento de tudo que tem forma, mesmo que invisível.

O universo dança formando a sincronicidade dos acontecimentos. A harmonia dos opostos em pares, girando e acelerando a mutação. A alma do mundo canta em coro pela transformação. Os ventos trazem as sementes do seu hálito celestial que se desenvolve na terra, toca os céus e alimenta o que vive nela, e também, o que está mergulhado no útero do mundo. Os portadores de consciência voltam-se aos céus, em busca de renovação, o alimento da alma.
Pára e recebe a resposta, o eco da música infinita, que clama pela continuação.
Os universos se comunicam através da música que invade o corpo, passa pela corrente sanguínea, pelos fluídos...pela sinapse... pela saliva, a luz que invade o corpo.
Nossos mundos internos percebem o brado que vêm dos céus, o grande trovão, a destruidora tempestade, que corrói o que deve ceder lugar ao novo, em uníssono.
O uno, a ligação plena, as perguntas são feitas e as respostas estão unidas a ela.
O todo se manifesta e reconhece tudo que há sem dissociar de sua essência.
A Lei natural, não é imposta, é reconhecida como a verdade.
Não oprime, liberta !!! Não obriga, conduz. Não limita, satisfaz. Deixa de aprisionar conduz ao infinito, através da sagrada dança da criação, no delírio do sentimento profundo, do indizível momento que soa em intensa, eterna, e viva continuidade.

domingo, 22 de abril de 2007

"E se me achar esquisita,respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar". Clarice Lispector

domingo, 1 de abril de 2007

Leia e perceba o que precisa saber:

"Se formos suficientemente treinados para ler, cada rosto reproduz uma história tão claramente como cada peça de música reproduz uma ária. As ruas, os ônibus, os parques encontram-se tão cheios, como qualque biblioteca, de romances, de tragédias, comédias, apenas com a diferença de que são escritos numa linguagem com a qual não estamos familiarizados." Philis Clark

quinta-feira, 29 de março de 2007

Abrindo o buraco, recipiente das letras que rolam a seguir: Clarice Lispector

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.(Perto do Coração Selvagem)"

"Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito."


"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca."


"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."